sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pérolas da Mitologia - Amar é perigoso


(Eros e Psique - William Adolphe Bouguereau)

Procurado por todos, em todas as épocas, o amor sempre foi visto como um perigo incontornável. Todos respeitam o seu poder, ninguém o considera inofensivo. Apesar de sempre desejado, sabemos todos quão facilmente ele pode se transformar em dor e sofrimento. Ao longo de sua já longa história, a humanidade aprendeu muito bem essa lição, não sendo por acaso que todas as línguas do mundo falam nas "feridas do amor", que doem demais, custam muito a sarar e deixam cicatrizes para sempre. Os gregos, com sua incomparável imaginação, expressaram isso tudo, muito bem, no belo mito de Psiqué e de Eros, o jovem deus do Amor.


Psiqué era tão bonita que os próprios poetas não tinham palavras para descrevê-la. Embora seus pais fossem mortais, as pessoas que a viam ficavam tão estupefatas com sua beleza que a tomavam por uma filha da própria deusa Afrodite. Sua fama tanto se espalhou que vinham pessoas de todas as partes para prestarem devoção àquela nova divindade. Quando Afrodite percebeu aquela concorrência, ficou furiosa: convocou seu filho Eros, o belo deus de asas brancas, que vivia percorrendo os palácios e as aldeias a semear, com suas flechas invisíveis, a desconcertante loucura do amor. "Vais castigá-la por mim, fazendo com que ela se apaixone pelo mortal mais desprezível", ordenou a deusa, sem imagirnar a reviravolta que seu plano teria. Ao ver a linda Psiqué adormecida, Eros ficou tão perturbado que deixou cair sobre o próprio pé a flecha que ia lançar. O feitiço atingiu o feiticeiro e ele se apaixonou perdidadmente pela princesa.

Ao final de tudo, depois de muitas peripécias, a jovem vai se tornar imortal e os dois viverão felizes para sempre. Antes disso, porém, houve um momento em que Psiqué pensou que jamais iria casar. Intimidados por sua beleza, os homens a admiravam à distância, mas não ousavam se aproximar. Então, o pai dela, preocupado com aquela situação, foi perguntar ao oráculo de Apolo se ela se casaria um dia. A resposta o aterrorizou: "Não é com um homem que ela se casará, mas com um monstro cruel, feroz e traiçoeiro, que voa pelos ares e a todos queima com sua chama e fere com suas pontas aguçadas". Nós, que já conhecemos a estória, sabemos que o oráculo se referia a Eros - e não estranhamos as sombrias palavras que ele usou para se referir ao amor, porque sabemos que é assim mesmo. Amar é tão fascinante e perigoso quanto caminhar pela borda de um vulcão, mas é sempre um belo risco a correr.

3 comentários:

Fernando Christófaro Salgado disse...

Olá Cláudia,

Quando mais novo tinha medo dos riscos do amor! Hoje acredito que o amor verdadeiro é eterno e não tem limites para crescer!
Adorei o texto!
Tem o selo pra vc lá no meu blog!

Abraços,

Fernando.

Nelson_Agadé_ disse...

muito interessante

Reino da Fantasia disse...

O texto é belíssimo. considero que o amor não cause sofrimento mas outro sentimento ao qual dão a sua denominação,pode sim,causar e muito.