terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pérolas da Mitologia - Ariadne e Teseu



A bela Ariadne era filha do rei Minos, monarca de Creta. Ela ficou fascinada por Teseu, quando ele foi até aquela ilha para enfrentar o Minotauro. Ela sabia muito bem o risco que ele corria. Mesmo que matasse o monstro, não conseguiria sair do labirinto, perdendo-se para sempre na trama infinita daqueles corredores escuros. Ariadne se ofereceu para ajudá-lo, desde que ele a levasse para Atenas como esposa, depois de realizada a tarefa. Teseu aceitou a oferta e a condição. Então ela lhe deu um novelo de fio mágico, que foi desenrolando sozinho até encontrarem o Minotauro. Torturada pela angústia, ela ficou aguardando lá fora, ouvindo os sons distantes da luta que se travou no interior do labirinto. Quando finalmente Teseu retornou triunfante, com a espada ensanguentada na mão, ela teve a certeza que aquele era o homem ao qual queria entregar seu coração e sua alma.

Temendo represálias do Rei, os dois fugiram no mesmo navio que trouxe Teseu à ilha. Em Naxos, já a salvos, passaram sua primeira noite de amor e Ariadne adormeceu, encantada, nos braços seguros do herói. Ao acordar, no entanto, a surpresa de sempre: ele tinha ido embora, deixando-a ali sozinha, abandonada na areia dquela praia deserta. Ela não conseguia acreditar que fossem falsas todas aquelas juras de amor, e saiu correndo, desesperada a chamá-lo, como se ele ainda estivesse por ali e pudesse escutá-la. Então subiu ao alto de um rochedo e ainda pode ver a pequena vela negra que desaparecia no horizonte. Sentiu-se perdida. Não tinha mais para onde ir e não podia voltar para Creta. Só lhe restava morrer.

Ela chorou o dia todo enquanto procurava um galho onde pudesse enforcar-se. À noitinha, vencida pelo cansaço, adormeceu na macia relva do local. No sono, Afrodite, a deusa do amor, veio trazer-lhe consolo. "Não era homem para ti, Ariadne. Eu te guardei para um deus".

E era verdade, pois durante a noite chegou à Naxos o deus Dionísio, acompanhado de seu irriquieto séquito de sátiros e bacantes. Quando Ariadne acordou, ao som alegre dos címbalos e dos pandeiros, o deus estava ajoelhado junto dela, amparando-a delicadamente em seus braços e afagando suavemente seus cabelos. Disse ele: "Princesa, não chores por um homem que foi teu só por um dia. Agora vais ter um deus como marido, e desta vez para sempre".

Sem hesitar, ela jogou ao mar as lembranças de Teseu e tratou de ser feliz, numa lição exemplar para todas as Ariadnes modernas que ainda choram na praia. Tratem de secar suas lágrimas, deixem aquela vela negra afastar-se na distância e preparem-se para a chegada do deus que vocês merecem. Pode ser que ele demore, pode ser até que ele não venha, mas não faz mal: o importante é viver plenamente a emoção que essa espera traz.

4 comentários:

Café com Bolo disse...

Olá, que prazer!
Adoro mitologia, história e afins...Adorei esse blog...agora estou indo no outro...passo lá e deixo meu recado.
Beijos

Escrevo Palavras. E Choro Poemas disse...

Muito chik seu blog< amei querida. obrigada por sua participação no meu cantinho! bj**

Manoel José de Santana(Manoel Limoeiro) disse...

Me sinto feliz em visita teu blog. Acho muito importante seu trabalho. Um abraço de Manoel Limoeiro de Recife-PE.

Malu disse...

É através das histórias que contruimos todas as nossas experiências de vida, por isso a importância de se contar belas e boas histótias desde s primeiros tempos da infância.
Amo história e virei buscá-las aqui.
Obrigada por ires pelo meu canto.
Beijosssss