domingo, 23 de agosto de 2009

Árabes - Jogos de Xadrez


A estorieta abaixo não foi extraída da mitologia grega, sendo um produto já da nossa era, mas se encaixa perfeitamente no espírito daquelas que temos apresentado, focalizando também a velha questão de gênero entre homens e mulheres.

Os árabes ao ocuparem a Espanha no século XVIII e trouxeram consigo o jogo de xadrez, apreendido por eles em algum lugar do oriente. Aquele jogo logo se difundiu por todo o continente, conquistando até jogadores improváveis como os truculentos viquingues. Como sabemos, o jogo consiste num tabuleiro de 64 casas, dois exércitos completos, com seus reis, rainhas, cavaleiros e peões, que se confrontam a cada partida sob a batuta dos jogadores.
Antes um pouco, lá pelo século XVII, havia surgido na Espanha o jogo de damas, que alguns enxadristas desdenhosos, chamaram de "xadrez das mulheres", cometendo um preconceituoso erro de avaliação, pois o jogo de dama nunca pretendeu ser um substituto ou simplificação do jogo de xadrez. As peças são diferentes, seus movimentos são diferentes e as regras são completamente diferentes. Apenas o tabuleiro é o mesmo. Esse detalhe criou um inevitável vínculo entre aqueles jogos tão diferentes, inclusive na maneira de comercializá-los. Nos natais de nossa infância eles sempre vinham juntos, numa espécie de dois-em-um, com as peças de um e outro misturadas na mesma caixa.
Muitos anos depois daqueles natais, começo a desconfiar que essa pode ser uma maneira esclarecedora de como homens e mulheres se relacionam. Ambos se encontram diante do mesmo tabuleiro, mas ele está jogando xadrez, enquanto ela joga damas. Dessa forma, pouco vai adiantar que ambos se esforcem para que a vida em comum dê certo. Tudo será em vão: como pensam que estão jogando o mesmo jogo, nenhum dos dois consegue compreender os movimentos que o outro faz - seja no orçamento doméstico, na educação dos filhos, na sexualidade ou no trabalho. Ele então a acusa de não saber jogar, lamentando que ela jogue tão mal, e a vida deles passa a ser um inferno.
A solução é simples, mas difícil de por em prática: os poucos casais felizes com a união procuram se observar com interesse e respeito mútuo, estudando o jogo de seu parceiro e divertindo-se com as diferenças. Um deve procurar aprender as regras do outro, não para segui-las, mas para entender, finalmente, que é natural que existam muitos pontos importantes sobre os quais os dois nunca irão concordar e que, sendo jogos distintos, nunca haverá vencedor - apenas o prazer de jogar.

Um comentário:

Júnia L. disse...

Oi,

Você descobriu meu blog (Aconteceu Naquela Noite ) logo depois de eu ser hackeada (rs), estou escrevendo de uma outra conta que fiz e pretendo levar tudo que publiquei aqui para meu outro blog.

Publiquei somente dois clássicos na outra conta porque ando muito atarefada, mas já estou de volta.

Meu blog novo chama-se Vintage Blog

Bjao

Junia